Temas que Mais Caem no TEMI: Tendências 2023-2025

Se o calendário do TEMI 2026 já está resolvido e a dúvida agora é onde investir as últimas semanas de revisão diante de 44 subtópicos do Edital nº 1898/2026, a pergunta certa é outra: quais são os temas que mais caem no TEMI, de fato, quando alguém senta e conta questão por questão? Uma análise de incidência que classificou 255 questões das provas oficiais de 2023, 2024 e 2025 contra os 9 eixos e 44 subtópicos do edital vigente responde isso com números, não com impressão: ventilação mecânica lidera em folga, um bloco de temas não clínicos mais que triplicou sem nenhum recuo, sepse teve um pico isolado em 2024 que não se repetiu, e cerca de 12% da prova histórica cobre assuntos que a lista oficial de 44 subtópicos simplesmente não nomeia.
Este artigo cobre o movimento entre 2023 e 2025: o que subiu sem recuo, o que caiu, o que foi pico isolado e o que a prova cobra fora da lista oficial. Para as datas, o pré-requisito e o formato de cada etapa deste ciclo, veja o calendário completo do TEMI 2026.
Como esta análise foi feita: 255 questões, três provas, uma ressalva sobre o edital novo
Os números deste artigo vêm de uma análise de incidência que leu, questão a questão, os cadernos oficiais do TEMI de 2024 e 2025 (90 de 90 questões em cada ano) e um material de comentários sobre a prova de 2023 (75 questões distintas, com denominador incerto), classificando cada uma contra os 9 eixos e 44 subtópicos do item 15.4 do Edital nº 1898/2026 da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Ao todo, 255 questões foram classificadas, cada uma com um único tema primário, sem dupla contagem: a soma das tabelas abaixo bate exatamente com esse total.
Um ponto de método precisa estar explícito antes de qualquer número. As provas de 2023, 2024 e 2025 foram elaboradas sob editais anteriores ao Edital nº 1898/2026, que só passou a vigorar em 2026. Classificá-las contra a grade de 44 subtópicos vigente hoje é uma projeção retroativa: mede o quanto o que a banca já cobria se encaixa no que ela agora declara, não mede aderência real da banca ao edital novo, que ela ainda não usou para escrever nenhuma prova. Por isso, os verbos certos ao longo deste artigo são subiu, caiu e não apareceu como tema principal, nunca vai cair.
A prova de 2023 entra com uma reserva adicional. A fonte usada para ela não é o caderno oficial, e sim um material de comentários de terceiro sobre a prova, sem folha de rosto, com numeração até 82 blocos e sete questões duplicadas removidas da contagem. O denominador de 2024 e 2025 é 90 questões confirmadas em cada ano; o de 2023 fica em 75 questões distintas, sem confirmação de que a prova teve exatamente esse total. Comparações de número bruto entre 2023 e os outros dois anos devem ser lidas com essa reserva, e é por isso que as tabelas a seguir trazem sempre o percentual dentro de cada ano, não só o número absoluto.
Monitorização hemodinâmica e respiratória: o eixo que domina os temas que mais caem no TEMI
O eixo 15.4.2 (Monitorização e Suporte Hemodinâmico e Respiratório) lidera os temas que mais caem no TEMI nos três anos analisados, sem exceção: 62 das 255 questões do período, 24,3% do total, segundo a análise de incidência. Some com o segundo eixo mais cobrado, 15.4.4 (Insuficiências Orgânicas e Suporte de Órgãos, 46 questões), e os dois juntos já respondem por 108 questões, 42,4% de tudo que caiu entre 2023 e 2025.
| Eixoitem 15.4 | 2023 | 2024 | 2025 | Total (3 anos) |
|---|---|---|---|---|
| 15.4.2 Monitorização e suporte hemodinâmico/respiratório | 17 | 21 | 24 | 62 |
| 15.4.4 Insuficiências orgânicas e suporte de órgãos | 14 | 15 | 17 | 46 |
| 15.4.6 Cuidados intensivos perioperatórios e clínicos | 13 | 10 | 8 | 31 |
Somando o terceiro eixo mais cobrado, 15.4.6, o total sobe para 54,5% da prova em apenas três dos nove eixos do edital. Dentro desse núcleo estrutural, sete subtópicos apareceram nos três anos com volume relevante e somam, juntos, 102 das 255 questões, 40,0% do período: ventilação mecânica (33), fisiologia do doente crítico (17), monitorização clínica e avançada (16), antimicrobianos e multirresistentes (9), injúria renal aguda e terapia de substituição renal (9), síndromes coronarianas agudas e emergências cardiovasculares (9), e terapia nutricional no paciente grave (9).
Ventilação mecânica é o tema que mais cai no TEMI, em folga
Ventilação mecânica invasiva e não invasiva (subtópico 2.3) é, isoladamente, o tema que mais cai no TEMI: 33 questões em 255, 12,9% do período completo, líder nos três anos sem exceção e quase o dobro do segundo colocado (fisiologia do doente crítico, com 17), segundo a análise de incidência. A contagem por ano mostra crescimento constante, não estabilidade em um patamar alto: 9 questões em 2023, 10 em 2024 e 14 em 2025.
| Ano | Questões de ventilação mecânica (subtópico 2.3) |
|---|---|
| 2023 | 9 |
| 2024 | 10 |
| 2025 | 14 |
| Total (3 anos) | 33 |
Duas ressalvas ajudam a ler esse número sem distorcer. Primeiro, o item 15.4 do Edital nº 1898/2026 reúne, no subtópico 2.3, cinco competências distintas (indicações, ajustes, monitorização, complicações e desmame) num único marcador, o que torna 2.3 estruturalmente maior que subtópicos mais estreitos do mesmo edital: parte do tamanho é granularidade da grade, não só peso da prova. Segundo, ainda assim a concentração é real e independente disso: em 2025, 14 das 90 questões da prova pediam leitura direta de curva de ventilador, ajuste de parâmetro ou decisão de desmame, segundo a mesma classificação.
Os temas em alta sem recuo no TEMI: fisiologia, monitorização avançada e o eixo não clínico
Quatro sinais de alta aparecem na análise de incidência sem nenhum recuo ao longo dos três anos: fisiologia do doente crítico (subtópico 1.1), monitorização clínica e avançada (2.1), o conjunto dos eixos não clínicos (paliativos/ética somado a gestão/qualidade) e, mais recente, a interpretação crítica de estudos (9.2), que estreou em 2025.
Fisiologia do doente crítico saiu de 4 questões em 2023 para 3 em 2024 e saltou para 10 em 2025, o maior salto isolado do período: em 2025 a prova passou a cobrar curvas de Guyton, equação do movimento, equação de Fick e curva pressão-volume ventricular como conceito, não apenas dentro de um caso clínico. Monitorização clínica e avançada cresceu de forma mais gradual e sem recuo: 3 questões em 2023, 6 em 2024, 7 em 2025.
O movimento mais consistente do período, porém, não é clínico. Os eixos 15.4.7 (Cuidados Paliativos, Comunicação e Ética) e 15.4.8 (Gestão, Qualidade e Segurança do Paciente), somados, saíram de 2 questões em 2023 para 8 em 2025, de 2,7% para 8,9% da prova, crescendo em todos os anos analisados sem exceção. Interpretação crítica de estudos clínicos (9.2) não apareceu em 2023 nem em 2024 e estreou com 3 questões em 2025, cobrando risco relativo, intervalo de confiança, curva de Kaplan-Meier e análise de subgrupos. Organização e funcionamento de UTI (8.1) também estreou em 2025, com 2 questões sobre gestão de vagas e visitação aberta. Fora dos 44 subtópicos, emergências obstétricas (pré-eclâmpsia, HELLP, eclâmpsia) seguiram o mesmo padrão: 0 questões em 2023, 1 em 2024 e 3 em 2025.
O pico isolado que não é tendência: por que sepse em 2024 foi exceção
O eixo 15.4.3 (Sepse, Infecções Graves e Antimicrobianos) fez 6 questões em 2023, saltou para 12 em 2024 e caiu para 5 em 2025, segundo a análise de incidência. Não é uma curva ascendente interrompida: é um pico isolado em 2024, o único ano em que a prova trouxe um bloco denso de infecção relacionada à assistência à saúde, febre, pneumonia associada à ventilação mecânica e escolha de antimicrobiano concentrado nesse eixo.
Em proporção, o quadro fica mais claro do que em número bruto: sepse representou 8,0% da prova em 2023, saltou para 13,3% em 2024 e caiu para 5,6% em 2025, ficando até abaixo do patamar de 2023. Tratar 2024 como o novo normal da banca seria um erro de leitura: o dado de três anos aponta oscilação em torno de um eixo clinicamente central, mas não uma tendência de alta constante. Quem revisa sepse porque é tema central na prática de UTI faz bem; quem reforça a revisão do tema achando que 2024 estabeleceu um novo patamar está lendo o número errado.
Os temas em queda no TEMI: perioperatório, sedação e complicações que zeraram
O eixo 15.4.6 (Cuidados Intensivos Perioperatórios e Clínicos) caiu em proporção nos três anos sem recuperação, segundo a análise de incidência: 17,3% da prova em 2023, 11,1% em 2024 e 8,9% em 2025, uma queda de praticamente metade da proporção original em relação ao início do período.
| Subtópico | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|
| Sedação, analgesia, delirium, mobilização (6.5) | 3 | 1 | 1 |
| Complicações pós-operatórias (6.3) | 2 | 0 | 0 |
| Grandes hemorragias e trauma (4.7) | 2 | 2 | 0 |
| Pneumonias PAC/PAH/PAV (3.2) | 1 | 3 | 0 |
| Morte encefálica e doação de órgãos (5.4) | 1 | 2 | 0 |
| AVC isquêmico e hemorrágico (5.1) | 1 | 1 | 0 |
Vale um alerta que vale para todo esse bloco: a maioria desses subtópicos opera com 0 a 3 questões por ano, em um total de 75 a 90 questões, faixa em que uma questão a mais ou a menos já muda o percentual. O sinal mais robusto é o eixo 15.4.6 como um todo, em queda nos três anos consecutivos; os subtópicos isolados dentro dele são informativos, mas individualmente mais frágeis como sinal de tendência.
Os temas que mais caem no TEMI fora dos 44 subtópicos: toxicologia, endocrinologia e RCP
30 das 255 questões do período, 11,8% do total, têm assunto central que não corresponde a nenhum dos 44 subtópicos do item 15.4 do Edital nº 1898/2026, segundo a análise de incidência. Quatro desses temas apareceram nos três anos analisados, sem falhar nenhum: toxicologia e intoxicações (9 questões no período), endocrinologia e emergências metabólicas (7), parada cardiorrespiratória e RCP (3) e doenças neuromusculares agudas (3). Emergências obstétricas, já citadas na seção anterior por sua alta em 2025, também pertencem a esse grupo residual, assim como arboviroses (dengue grave) e emergências ambientais e por animais peçonhentos, com menor recorrência.
Isso não significa que esses temas estão fora do escopo do exame. O item 15.3 do Edital nº 1898/2026 ancora o conteúdo programático em instrumentos mais amplos que a lista de 44 marcadores: as matrizes de competência da especialidade, incluindo o PROCOMI, Programa de Formação orientado por Competência em Medicina Intensiva, e a literatura consagrada da área. O item 15.2 do mesmo edital reforça que a interpretação final sobre a aplicabilidade das referências cabe à CTEMI, com decisão soberana. Um assunto sem marcador próprio na lista de 44 subtópicos não é um assunto fora de prova: é um assunto sem endereço fixo na grade, e quem estuda só pelos 44 subtópicos nomeados historicamente deixa de fora cerca de 12% da prova.
Temas que nunca apareceram como principal no TEMI (e por que a ressalva importa)
Dois dos 44 subtópicos do Edital nº 1898/2026 não receberam nenhuma questão como tema primário nas 255 questões classificadas entre 2023 e 2025, segundo a análise de incidência: 1.2 (Resposta ao estresse, inflamação sistêmica, disfunção orgânica múltipla) e 9.3 (Avaliação de evidências científicas para tomada de decisão clínica).
Esse zero pede leitura cuidadosa, não literal. Os dois são os marcadores mais difusos da grade inteira. Resposta ao estresse e inflamação sistêmica está, na prática, por trás de quase toda questão de sepse e choque, mas nenhuma questão do período a cobrou como objeto próprio, porque a regra de classificação usada nesta análise atribui um único tema primário por questão, e a pergunta acaba indo para o marcador clínico específico, não para o marcador fisiopatológico geral. O mesmo vale para 9.3, que se sobrepõe a outros dois marcadores de metodologia científica (9.1 e 9.2) e historicamente perdeu a disputa pelo tema primário da questão. O zero reflete tanto a regra de classificação quanto o comportamento real da prova; a leitura correta é que esses dois temas não apareceram como tema principal no período medido, não que eles nunca caem ou estão fora de prova.
Vale um alerta metodológico adicional para todo este artigo: 26 dos 44 subtópicos do edital ficaram zerados em pelo menos um dos três anos analisados, e boa parte opera na faixa de uma a três questões no total do período, o que é estatisticamente indistinguível de ruído em uma amostra de 255 questões. As afirmações mais seguras deste artigo estão nos subtópicos de dois dígitos, ventilação mecânica, fisiologia do doente crítico e monitorização avançada entre eles, não nos que aparecem uma única vez em três anos.
Este artigo usa como fonte primária a leitura do Edital nº 1898/2026 da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), disponível também no site oficial da AMIB, cruzada com uma análise de incidência de questões produzida pela equipe editorial deste blog a partir da leitura integral dos cadernos oficiais de 2024 e 2025 e do material disponível de 2023, com data de 19 de agosto de 2026. Este conteúdo é de autoria institucional da equipe editorial do blog Eu Médico Especialista, não de um profissional médico individual, não constitui aconselhamento médico ou de carreira individualizado, e não promete qualquer resultado de aprovação. Publicado em 9 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
Qual é o tema que mais cai na prova de título de Medicina Intensiva? Ventilação mecânica invasiva e não invasiva (subtópico 2.3) é o tema mais cobrado do período, com 33 questões em 255 analisadas entre 2023 e 2025, 12,9% do total, líder nos três anos sem exceção, segundo a análise de incidência classificada contra o Edital nº 1898/2026 da AMIB.
Ventilação mecânica é o assunto mais cobrado no TEMI? Sim, e em folga: quase o dobro do segundo colocado (fisiologia do doente crítico, com 17), com crescimento constante ano a ano (9 questões em 2023, 10 em 2024, 14 em 2025). O subtópico também condensa cinco competências do edital num único marcador, o que amplia seu peso estrutural na contagem.
Sepse é um tema em alta na prova da AMIB? Não de forma constante. O eixo de sepse teve um pico isolado em 2024 (12 questões, 13,3% da prova), mas caiu para 5 questões em 2025 (5,6%), abaixo até de 2023. A análise de incidência trata isso como exceção, não como tendência de alta.
Existe algum tema que nunca caiu no TEMI? Dois subtópicos (1.2 e 9.3) não tiveram questão como tema primário entre 2023 e 2025, segundo a análise de incidência. São, porém, os marcadores mais difusos do edital: o zero reflete a regra de classificação por tema único, não ausência real do assunto na prova.
Toxicologia cai no TEMI mesmo não estando entre os 44 subtópicos do edital? Sim, segundo a análise de incidência: toxicologia e intoxicações somaram 9 questões nos três anos analisados, sem falhar nenhum. O item 15.3 do Edital nº 1898/2026 ancora o conteúdo em matrizes de competência mais amplas que os 44 marcadores nomeados, o que explica temas cobrados fora da lista oficial.
Conclusão
Os temas que mais caem no TEMI, entre 2023 e 2025, formam um retrato mais concentrado do que os 44 subtópicos do edital sugerem isoladamente: dois eixos (monitorização/suporte hemodinâmico e insuficiências orgânicas) somam 42,4% da prova, e um único subtópico, ventilação mecânica, sozinho responde por 12,9% do período, segundo a análise de incidência. Ao mesmo tempo, um bloco de temas não clínicos (paliativos, ética, gestão e qualidade) cresceu sem recuo em todos os anos, sepse teve um pico isolado em 2024 que não se sustentou, o eixo perioperatório perdeu espaço de forma constante, e cerca de 12% da prova histórica cobre assuntos que a lista oficial de 44 subtópicos não nomeia.
Nenhum desses números é previsão do que vai cair no TEMI 2026: são registros de recorrência observada em três provas, escritas sob editais anteriores ao atual, úteis para decidir onde reforçar a revisão, não garantia de resultado. Para o cronograma, o pré-requisito e o formato de cada etapa deste ciclo, veja o calendário completo do TEMI 2026. Para uma visão mais ampla da especialidade, este blog também mantém um hub de Medicina Intensiva 2026, e para organizar a rotina de revisão a partir de dados de incidência como os deste artigo, há um guia de cronograma de estudo por incidência da prova. Este mesmo formato de análise de tendência foi aplicado antes à Geriatria, no artigo sobre os temas que mais caem no TEG, para quem também está preparando essa prova.


